quarta-feira, 19 de outubro de 2011

3x4

Sabe, a vida é muito estranha. Aí eu imagino que se eu estivesse te dizendo isso pessoalmente, você me olharia com uma cara de "sério isso?", uma expressão irônica e engraçada, eu riria e diria que é extremamente sério, tão sério quanto quando digo que eu te amo. A vida é estranha e eu já te disse muitas vezes, meu bem... Tantas vezes que você já não consegue mais contar. Tão estranha que agora, neste texto, eu estou te chamando de "meu bem" em vez de "retardado". Ah, não... Me lembro que constatamos que não te chamo muitas vezes de retardado... "Besta" sai automaticamente da minha boca sem eu ao menos pensar em outro sinônimo.

Sabe, é, você sabe muito bem. Você sabe tanto que sabe até mais do que eu, e eu não ligo. Você sabe tanto sem ao menos saber de nada quando eu que sei não sei bem. Tão estranho. E você sabe também o que me faz feliz. E eu não ligo. Nem um pouquinho. Você sabe o que me deixa irritada... Mas em compensação não sabe se controlar quando eu digo "pára!". Eu sou uma placa, uma bela placa, que diz "pare", uma placa ambulante que diz "pare", uma placa "pare" que te atrai, um paradoxo... E você sabe disso e não para. Sou o pólo negativo.  Uma peça de quebra-cabeça. E você sabe muito bem disso. Sabe que eu sou o verso principal, a essência, o anel que ainda permanece com você...
 
E eu também sei. Sei de muitas coisas. Sei que a vida é tão estranha! Sei que sou a garota que te deixa com esse sorriso bobo, a quem você daria sua vida. E sei que eu fico tão feliz com isso! Sei que a seus olhos eu sou perfeita, e quando eu te digo pra ficar quieto quando começa a me elogiar, é porque eu fico constrangida, fico vermelha, corada, e você ri. Me desculpe.
 
Eu sei, você sabe... A vida é tão estranha! Há um tempo atrás eu nem te conhecia. Há um tempo atrás eu não sabia de nada disso. Há um tempo atrás eu fugia, tinha medo de saber... A vida é tão estranha, meu bem. Tão, mas tão estranha. A vida... Ela gosta de pregar essas peças na gente, né? Ela gosta de que tudo seja do jeito que ela quer. Quer que o que eu planejo não aconteça, e faz com que eu seja atraída por tudo o que me faz fugir. Ela gosta de brincar com nós. Colocar e tirar sentimentos estranhos. Confundir. Nos aplica provas, testes... da nossa resistência, da nossa persistência... Mas a gente acaba entrando na brincadeira também. Tipo quando a gente brinca quando criança, que só para quando acaba em choro ou quando fica bem cansado. Não tão diferente de hoje. Ou a gente chora, ou a gente cansa. Ou a gente chora porque cansa. A vida deixa a gente brincar com ela porque ela sabe que depois, se chorarmos, alguém vai enxugar nossas lágrimas, vai nos segurar pelos braços, nos olhar nos olhos e dizer em um tom impaciente "agora chega!".
 
A vida... Tão estranha quanto eu. Tão estranha quanto meu sobrenome pronunciado em polonês. Essa estranha, tão dificil de se entender, tão complexa, e tão louca... nos uniu. Imagine só: eu, você... Eu, que só gosto do caldo do feijão, e você, que é louco por verduras. Eu, que insisto em meus pleonasmos, e você, que insiste em conjugar o "mim". Eu e você. Tão diferentes. Juntos. Quem diria? Todo mundo.
 
A vida nos deixou distante... Mais uma "brincadeira" dela. Ela quer que eu me canse. Para que quando eu estiver a ponto de chorar de saudades, ela te trazer pra mim de volta, porque só você sabe me fazer sorrir em um instante.

Dedico com todo o meu amor e carinho: ao meu pólo positivo, que seca minhas lágrimas, que ama me ver corada, que corrige meus pleonasmos, que confundia rúcula com agrião, que relaciona minha burrice com a cor do me cabelo constantemente, que me deu uma vaquinha de pelúcia, que aprendeu a tocar 3x4 na gaita pra mim... enfim, ao louquinho capaz de me amar.

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